Especialista responde: “Labirintite”

Grande parte da população hoje em dia, já teve ou tem algum sintoma labiríntico, como: sentir tudo girar, sentir pender para alguma direção, dores de cabeça, enjoos, formigamentos em mãos e pés, visão turva, sensação de movimento. Todos esses sintomas podem ser relacionados a alterações advindas de três pequenos canais que fazem parte do sistema vestibular, localizado acima do órgão auditivo, a cóclea (ou caracol, como é popularmente conhecido), conforme ilustrado na figura abaixo:

Esse sistema vestibular, ou labirinto (como popularmente também é conhecido) integra e, é de grande importância para que nós humanos tenhamos equilíbrio corporal. Ele funciona como uma balança por assim ilustrar, de forma simples, precisa estar trabalhando em simetria, para que possamos manter um equilíbrio corporal sem dificuldades em nosso dia a dia.

O que é?

De maneira direita e simples, é uma inflamação no labirinto (parte interna do ouvido)!

Imagem ilustrando o labirinto.

Mas a famosa inflamação do ouvido interno que conhecemos como “labirintite”, é apenas uma das doenças/patologias que podem ocorrer nos indivíduos. O mais comum é que ocorra disfunções, como: hipofunção (quando o labirinto funciona de menos, lento por assim dizer), hiperfunção (quando o labirinto está acelerado, “hiperativo” por assim dizer) e, disfunção posicional (quando “param” folículos da circulação no labirinto e desencadeiam tonturas até o folículo se desprender, por assim dizer, dos pequenos canais que compõem o labirinto, como ilustrado na figura).

O que tem haver o equilíbrio com a audição?

Algumas labirintopatias (doenças do equilíbrio, por assim dizer), trazem como sintoma a diminuição/perda da audição temporária ou não, e zumbidos (barulhos) no ouvido e/ou cabeça.

Quais os sintomas que posso ter?

  • Tontura (giratório ou não);
  • Náuseas e vômito;
  • Sudorese;
  • Alterações gastrintestinais;
  • Perda de audição;
  • Desequilíbrio;
  • Zumbidos no ouvido;
  • Audição diminuída;
  • Desorientação, quedas ou desmaios;
  • Visão turva.

Como saber se tenho ou não “labirintite”?

Procure seu Otorrinolaringologista e inicie a investigação por meio de consulta clínica (onde se investiga por meio de perguntas a queixa), exames posicionais (realizando certos movimentos), exames instrumentais como: análise de amostra sanguínea, audiometria tonal e vocal, impedanciometria e VENG (vectoeletronistamografia), e quando necessário ressonância magnética ou tomografia.

O que é Veng (vectoeletronistagmografia)?

A Vectoeletronistagmografia (VENG) é um exame que tem como finalidade avaliar o labirinto (conforme ilustrado na figura). Através da colocação de eletrodos ao lado dos olhos e na testa, o paciente acompanha estímulos luminosos e recebe um leve jato de ar no canal auditivo. O examinador analisa os registros e define assim a presença ou não das disfunções citadas na primeira pergunta. Para a realização do exame, necessita-se de uma dieta com restrições alimentares e medicamentosas de 2 a 3 dias.

Por que preciso fazer dieta para realizar o exame?

A dieta se faz necessário porque existem substâncias, como a cafeína, por exemplo, que podem influenciar o resultado do exame ou mascarar o resultado existente no indivíduo. Bem como, proporcionar melhores condições e integridade ao paciente, durante e pós-exame.

O único tratamento é à base de remédios?

Somente um médico pode dizer qual o tratamento mais indicado para o seu caso! Existem tratamentos à base de medicações, onde deve-se seguir as orientações do seu médico quanto a dosagem correta e a duração do tratamento, não interrompendo o uso do medicamento, ou tomá-lo mais de uma vez ou em quantidades muito maiores do que a prescrita sem consultar seu médico antes. E tratamentos à base de Reabilitação Vestibular (RV), realizado por Fonoaudiólogos e Fisioterapeutas habilitados.

O que é RV (reabilitação vestibular)?

A Reabilitação Vestibular (RV) é um método de tratamento para disfunções de equilíbrio, onde é proposto ao paciente exercícios adequados para a sua alteração e dificuldade, os quais irão estimular os mecanismos centrais e periféricos a se adaptar aos movimentos e mudanças destes, assim propiciando a volta ou “reaprendizagem” do seu equilíbrio de forma mais rápida.
É importante ressaltar que a reabilitação vestibular é uma das diferentes opções de tratamento para o paciente com disfunção de equilíbrio, podendo ser utilizada de maneira isolada, alternativa ou associada ao tratamento medicamentoso. Qualquer dúvida a Quality Saúde Fonoaudiologia oferece avaliação do Equilíbrio Corporal para o diagnóstico de alterações.

Existe prevenção para a “labirintite”?

Mudanças e/ou equilíbrio no estilo de vida são fundamentais para prevenir as crises e/ou disfunções no labirinto. Eis algumas sugestões:

  • Evite ingerir álcool. Se beber, faça com muita moderação;
  • Não fume;
  • Controle os níveis de colesterol, triglicérides e a glicemia;
  • Opte por uma dieta saudável que ajude a manter o peso adequado e equilibrado;
  • Não deixe grandes intervalos entre uma refeição e outra;
  • Pratique atividade física;
  • Ingira bastante líquido;
  • Evite beber bebidas gaseificadas. Se beber, faça com moderação;
  • Evite cafeína. Se houver ingestão, faça com muita moderação;
  • Procure administrar, da melhor forma possível, as crises de ansiedade e o estresse.

Portanto, se você sente algum sintoma, ou desconfia de “labirintite”, procure um Otorrinolaringologista e investigue as alterações auditivas e do sistema vestibular! Diagnóstico precoce é a chave para ter qualidade de vida, tratamento e reabilitação do paciente, se assim necessário. E nunca se esqueça que: preservar é uma virtude que nos é dada, não a desperdice por maus cuidados, tenha EQUILÍBRIO!

Por: Daniele Vaz Gonçalves
Fonoaudióloga CRFª 3- 9909

Audição e qualidade de vida

Com o avanço da idade é bastante comum o aparecimento de dificuldades auditivas, decorrentes do processo natural de envelhecimento. O déficit auditivo, desencadeado por esta condição, frequentemente se manifesta de maneira gradual e por este motivo, muitas vezes, tem sua presença negligenciado e seu diagnóstico retardado.

Dificuldades na captação dos sons, assim como na discriminação e na compreensão dos mesmos são possíveis indícios de que algo não vai bem com a capacidade auditiva do indivíduo.

Entretanto, estes não são os únicos sinais!

A pessoa frequentemente pode tornar-se deprimida e desinteressada pelas atividades que sempre realizou. A falta de confiança em si mesma e o medo de cometer equívocos, principalmente relacionados à comunicação levam ao sentimento de insegurança e baixa estima.

Na tentativa de fugir de situações desagradáveis é comum alguns idosos fingirem que estão ouvindo, quando na verdade não estão. Os familiares, quando não cientes da presença de uma perda auditiva e das implicações desta na vida do indivíduo, tendem a descrevê-lo como confuso, desorientado, distraído, calado, não colaborador e zangado. Então, prejuízos nas funções de memória, linguagem, atenção e concentração podem ter relação com a perda auditiva, trazendo decréscimos consideráveis na qualidade de vida das pessoas idosas.

Aparelhos Auditivos: uma nova oportunidade

Uma forma de minimizar os efeitos negativos da perda auditiva é a utilização de aparelhos auditivos. Recursos tecnológicos cada vez mais comuns e aceitos nos dias de hoje. Trata-se de equipamentos personalizados que adaptam- se a diferentes estilos de vida. Trazem o idoso de volta ao mundo da comunicação, contribuindo para a boa qualidade de vida, seu bem-estar físico, mental e social. Estratégias comunicativas e orientação familiar podem contribuir para o processo de reinserção do indivíduo às situações de comunicação.

Bons argumentos

  • Aparelhos auditivos podem propiciar a participação efetiva nas mais diversas situações cotidianas;
  • Aparelhos auditivos modernos são pequenos e confortáveis de usar;
  • Eles podem promover a reconquista da independência;
  • Aparelhos auditivos não “curam” a incapacidade auditiva, mas promovem a superação das limitações impostas por tal.